Uma rotina de bem-estar que virou emergência: Lois Kinder, 44 anos, mãe e afiliada do TikTok de Cheshire, Reino Unido, entrou em coma e precisou de um transplante de fígado depois de usar gomas de ashwagandha que promovia nas redes.
O caso chamou atenção porque o uso de um suplemento popular, em formato de bala mastigável, terminou em insuficiência hepática aguda e em uma cirurgia de alto risco — com complicações graves durante a operação.
Do início dos sintomas ao transplante de fígado
Em julho, Kinder começou a vomitar e apresentou icterícia — olhos e pele amarelados. Três dias após procurar um médico, sua filha adolescente a encontrou desacordada em casa; os paramédicos a reanimaram, mas ela estava confusa e não reconhecia os filhos.
Os médicos diagnosticaram insuficiência hepática aguda, colocaram-na em coma induzido e a transferiram para o Queen Elizabeth Hospital Birmingham, onde entrou na lista de transplantes de urgência. No dia 22 de julho apareceu um fígado compatível.
Durante a cirurgia, Kinder sofreu três paradas cardíacas depois que um coágulo bloqueou a principal artéria que leva sangue aos pulmões, deixando-a sem oxigênio por um período prolongado. Ela sobreviveu ao transplante, acordou do coma e consegue reconhecer a família e proferir poucas palavras, mas permanece em estado crítico com danos cerebrais.
Outros relatos e estudos que ligam ashwagandha a lesão hepática
O caso de Kinder não é isolado. Um relato descreveu uma mulher de 41 anos que desenvolveu insuficiência hepática após tomar ashwagandha com progesterona por cerca de dois meses e precisou de transplante.
Pesquisadores na Índia analisaram 23 pacientes com lesão hepática associados ao uso de ashwagandha entre 2019 e 2022. Após excluir quem usou formulações múltiplas, oito casos foram atribuídos ao fitoterápico isolado; o padrão mais comum foi hepatite colestática.
Cinco desses oito pacientes já tinham doença hepática crônica; três evoluíram para insuficiência hepática aguda sobre crônica e morreram durante o acompanhamento. Análises das amostras não mostraram adulteração ou contaminantes, apenas compostos naturais da planta.
Por que as gomas de suplemento preocupam
As gomas chegaram a dominar parte do mercado de suplementos por serem saborosas e fáceis de tomar. Segundo o Nutrition Business Journal, 47% dos usuários regulares preferem gomas ao iniciar um suplemento.
Além disso, pesquisas citadas mostram que gomas são também uma forma comum de produtos comestíveis, o que ajuda a explicar sua popularidade nas prateleiras e nas redes sociais. A disseminação de suplementos por influenciadores facilita o alcance, mas especialistas citados no levantamento alertam para falta de evidência robusta sobre benefícios e possíveis riscos.
A família de Lois não divulgou qual marca de gomas ela usava. Médicos e pesquisadores entrevistados recomendam cautela: antes de começar qualquer suplemento, é importante checar evidências, possíveis efeitos colaterais e interações, e buscar orientação de profissionais de saúde.
O caso segue sendo acompanhado pelos médicos, e a paciente permanece em cuidados críticos enquanto os prognósticos são avaliados.
Comentário da equipe JC Agora
O episódio reforça como suplementos embalados como doces conquistam público nas redes, mas nem sempre têm segurança comprovada. A popularidade das gomas e a divulgação por influenciadores aumentam o alcance do produto, tornando essencial checar evidências médicas antes do uso.
Fontes consultadas
- Bored Panda
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