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Criadora de 'All Her Fault' diz que maridos são piores sem traição

Megan Gallagher, criadora da série All Her Fault, disse em um FYC que evitou tramas de traição para mostrar como mulheres e mães acabam absorvendo a culpa social.

Criadora de 'All Her Fault' diz que maridos são piores sem traição
Foto: Stream.cz · Public domain · Wikimedia Commons
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Em um FYC em West Hollywood, Megan Gallagher explicou por que recusou a solução óbvia de adicionar uma traição à trama de All Her Fault — e lembrou um comentário recebido: “Those are two of the worst husbands I’ve ever seen on television, and neither one of them were having an affair.”

Gallagher disse que inserir um caso extraconjugal teria sido previsível e enfraquecido a mensagem da série limitada: ela quis focar em como mulheres e mães frequentemente arcam com a responsabilidade social e levam a culpa sozinhas.

Por que evitar a traição foi proposital

A criadora defende que há atos no casamento piores que uma infidelidade explícita — comportamentos que tornam a vida do parceiro miserável e o mantêm no controle. Mostrar esse tipo de dinâmica era, para ela, mais revelador do que transformar a narrativa em mais um melodrama de adultério.

Marissa e Jenny fogem do estereótipo

As protagonistas são Marissa Irvine (Sarah Snook) e Jenny Kaminski (Dakota Fanning). Gallagher disse ter escrito Marissa como uma profissional bem-sucedida, com «um corte» na personalidade, não a típica mãe encostada; e descreveu Jenny como uma pessoa aparentemente submissa, mas com um núcleo resistente.

O peso da culpa materna no centro da série

No enredo, Marissa lida com o desaparecimento do filho Milo e com o fato de ter sido enganada por seu marido Peter (Jake Lacy), o que a leva a carregar culpa que não é dela. Já Jenny enfrenta uma relação com Richie (Thomas Cocquerel) que a deixa em sofrimento constante — e a série destaca quando ela finalmente diz “não”.

Para Gallagher, o mais doloroso é ver mulheres internalizarem a culpa que a sociedade e a mídia tentam impor a elas — um tema que norteou as escolhas de roteiro e a construção das personagens.

Comentário da equipe JC Agora

A opção de não recorrer à traição mostra como narrativas podem desafiar expectativas e dar voz a uma questão cultural: a tendência de responsabilizar mulheres e mães por problemas que muitas vezes não lhes pertencem, ressaltando a angústia da culpa internalizada.

Fonte consultada: Deadline

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