JC AGORA

O que está acontecendo. O que está repercutindo.

TV & Streaming

Documentário 'NAZA' coloca cineastas israelenses em risco após estreia em Veneza

O documentário 'NAZA', exibido em Veneza, expõe um programa que atingiu áreas residenciais em Gaza e deixou seus diretores sob risco político, com críticas oficiais e ameaça de retaliação.

Documentário 'NAZA' coloca cineastas israelenses em risco após estreia em Veneza
Foto: Jpoliv08 · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Compartilhar:

NAZA, documentário exibido em Veneza na semana passada, virou pedra no sapato ao misturar cinema e política: a produção — que investiga um programa responsável por destruição em áreas residenciais de Gaza — deixou seus realizadores em situação delicada.

O filme, assinado por Yuval Abraham e Rachel Szor, foi em grande parte rodado à noite, em telhados de Tel Aviv, para evitar escutas e proteger as pessoas retratadas. A repercussão ultrapassou o circuito de festivais e chegou ao topo do poder político em Israel.

O registro que expõe danos e exigiu sigilo das gravações

Segundo a reportagem, NAZA — cujo título vem da sigla hebraica usada para indicar danos colaterais — reúne acusações sérias sobre um programa que causou destruição em zonas residenciais de Gaza.

Para preservar entrevistados e equipe, parte do material foi captado à noite e em locais discretos em Tel Aviv, uma escolha prática que reflete o risco assumido pelos realizadores ao tratar de temas sensíveis.

Reação oficial em Israel e risco pessoal aos diretores

O impacto político foi imediato: o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu qualificou o filme como "global antisemitic incitement" e a controvérsia levou o Conselho do Cinema de Israel a anunciar medidas contra festivais que exibiram o título — incluindo a intenção de retirá-los do sistema usado para definir orçamentos de fundos de cinema.

O texto aponta que Yuval Abraham, que aparece em cena como já havia feito em No Other Land, corre o risco de ter sua cidadania israelense revogada, segundo o relato sobre a escalada entre cultura e política.

Também na semana: França escolhe 'Minotaur' como candidatura ao Oscar

Em outro destaque da cobertura internacional, a França escolheu Minotaur, do cineasta russo Andrey Zvyagintsev com produção francesa, como sua submissão ao Oscar de Melhor Filme Internacional — a segunda vez seguida que Paris opta por um filme não falado em francês para concorrer.

A decisão foi descrita como tática, favorecendo um filme de autor com pedigree crítico na corrida por votos do segmento internacional.

Entre outros pontos da semana, a edição traz dados como as 4,64 bilhões de horas de anime assistidas na Netflix no primeiro semestre de 2026 e o anúncio de um documentário com fitas inéditas de Princess Diana que será mostrado internacionalmente.

O caso NAZA segue como um dos exemplos mais claros, na cobertura recente, de como filmes documentais podem atravessar fronteiras artísticas e gerar consequências políticas diretas para seus criadores.

Comentário da equipe JC Agora

NAZA é exemplo recente de como documentários podem virar casos políticos instantâneos: a tensão revela o impacto das escolhas estéticas e de segurança dos cineastas quando o conteúdo confronta narrativas nacionais e políticas culturais.

Fontes consultadas

  • Deadline

Avaliações e comentários

Entre na sua conta para comentar.

Ainda não há avaliações aprovadas.