Dois estudos financiados pela NASA apontam que eventos na história do Sol — quando a bolha solar encolheu diante de nuvens frias e quando o Sol jovem lançou partículas energéticas — podem ter alterado o clima da Terra, incluindo sinais de resfriamento e aquecimento antigos.
As pesquisas combinam simulações do caminho da heliosfera pela galáxia e experimentos em laboratório para ligar episódios cósmicos a mudanças detectadas em sedimentos e no clima primitivo do planeta.
Quando a heliosfera encolheu e expôs a Terra
Pesquisadores do centro SHIELD reconstituíram por computador a trajetória da heliosfera — a bolha criada pelo vento solar que envolve o sistema solar — e encontraram evidências de pelo menos três encontros com nuvens frias e densas do espaço nas últimas dezenas de milhões de anos.
Nas simulações, essas nuvens pressionaram a heliosfera a ponto de ela encolher para um tamanho menor que a órbita da Terra, deixando o planeta temporariamente fora da proteção normal do Sol. Os episódios estimados ocorreram há cerca de 2–3 milhões, 6–7 milhões e 13–14 milhões de anos.
Os resultados batem com evidências geológicas: elementos típicos de poeira interestelar aparecem em amostras de sedimentos marinhos, neve antártica e até em amostras lunares nos períodos correspondentes, sugerindo exposição diferente do ambiente ao redor da Terra.
Como partículas solares podem ter aquecido a Terra jovem
Outro estudo liderado por um cientista do Goddard Space Flight Center aborda o paradoxo do Sol fraco: há cerca de 3 bilhões de anos o Sol era cerca de 70% mais fraco, mas havia água líquida na superfície terrestre.
Em laboratório, os autores simularam uma atmosfera primitiva e bombardearam a mistura por prótons, imitando as partículas lançadas por grandes erupções de um Sol jovem. O experimento gerou nitroso (óxido nitroso), um gás de efeito estufa muito mais potente que o dióxido de carbono.
Mesmo se apenas uma fração desse nitroso sobrevivesse à radiação ultravioleta intensa do jovem Sol, as simulações mostraram que seria suficiente para elevar temperaturas equatoriais acima do ponto de congelamento, ajudando a manter água líquida e potencialmente favorecer reações pré-bióticas.
O que vem a seguir na pesquisa heliosférica
O centro SHIELD faz parte de um esforço maior da NASA para criar um “gêmeo digital” da heliosfera, reunindo equipes multidisciplinares para entender como a bolha solar interage com ambientes galácticos diversos.
Juntas, as duas linhas de pesquisa reforçam que a história do Sol não é só pano de fundo: ela pode ter papel ativo em eras de gelo, aquecimentos locais e nas condições que permitiram o surgimento e a preservação de água na Terra.
Comentário da equipe JC Agora
A ligação entre história estelar e clima terrestre revela que fatores galácticos e atividade solar podem ter influenciado eras glaciais e a presença de água. Isso amplia a visão sobre habitabilidade: estudar o passado do Sol ajuda a entender por que a Terra permaneceu apta à vida e o que buscar em outros sistemas estelares.
Fontes consultadas
- NASA - Conteúdo recente
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