Quatro ossos que ficaram escondidos dentro de um bloco de rocha por mais de 30 anos foram identificados como partes de um mosassauro – incluindo a primeira pré‑maxila confirmada em um exemplar japonês – e exibem características cranianas que não batem com espécies conhecidas.
Os fragmentos estavam em material recolhido em Sobura, Kaizuka City, Osaka Prefecture, entre 1990 e 1992 e preservados no Natural History Museum, Kishiwada City; só recentemente, ao revisar peças não totalmente preparadas, os pesquisadores encontraram os ossos.
Primeira pré‑maxila de um mosassauro no Japão
Uma das descobertas mais importantes é a identificação da pré‑maxila, o osso frontal do maxilar superior. É a primeira vez que esse elemento é confirmado em um fóssil de mosassauro descoberto no Japão.
Essa confirmação só foi possível porque, nas últimas décadas, a comunidade científica acumulou muito mais material comparativo de mosassauros, permitindo reavaliações que não eram viáveis na época da descoberta original.
Traços do crânio levantam hipótese de nova espécie
Além da pré‑maxila, os pesquisadores analisaram o basisfenoide, um osso próximo ao encéfalo, e notaram características atípicas: projeções curtas que lembram chifres e ausência de um sulco mediano ventral.
Essa combinação de traços não corresponde ao que foi descrito em mosassauros conhecidos, o que abre a possibilidade de que o exemplar pertença a uma espécie ainda não descrita. Os autores, no entanto, dizem que são necessários estudos adicionais para confirmar essa hipótese.
Revisitar coleções: o valor de peças não preparadas
O achado ilustra como peças mantidas por décadas em museus podem esconder informações relevantes e justificar novas análises. Os resultados foram apresentados em 27 de junho de 2026, na 177ª reunião anual da Palaeontological Society of Japan, realizada na Osaka Metropolitan University.
O trabalho envolveu pesquisadores da Okayama University of Science, Tokyo City University, do Natural History Museum, Kishiwada City e outras instituições, incluindo Yasuaki Takano, Shoji Hayashi, Yasuhisa Nakajima, Satoshi Utsunomiya, Yuma Asai, Miho Kazama e Katsunori Watanabe.
Os mosassauros viveram nos oceanos do final do Cretáceo, entre cerca de 98 e 66 milhões de anos atrás; a equipe afirma que investigações futuras ajudarão a esclarecer se o material constitui de fato uma nova espécie e o que isso revela sobre os ecossistemas marinhos do noroeste do Pacífico naquele período.
Fonte consultada: ScienceDaily - Top Science
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