John Oliver dedicou um bloco de seu "Last Week Tonight" para desmontar o reality do secretário de Transportes Sean Duffy, criticando tanto o conteúdo do programa quanto a aparente proximidade entre os patrocinadores e o departamento chefiado por Duffy.
O seriado, lançado em seis episódios no YouTube como uma celebração do 250º aniversário dos EUA, virou alvo por oferecer mais cenas de drama familiar do que turismo, segundo Oliver, e por trazer passagens problemáticas do passado de Duffy na TV.
O que irritou Oliver no formato
Oliver classificou o programa como mal concebido e afirmou que, em vez de ser uma viagem pelo país, a série funciona como um “ensaio” caro de um reality familiar centrado nos Duffy, com tramas sobre festa de família, escolha de faculdade da filha e outras cenas domésticas.
Em um trecho exibido, Duffy discutia a possibilidade da filha estudar em Harvard e dizia que instituições profissionais poderiam "corromper" jovens — passagem que Oliver usou para questionar a identificação entre o tema anunciado (viagem e celebração) e o que realmente aparece na tela.
Patrocínios, regulação e alegação de independência
Duffy afirmou que o programa foi filmado ao longo de sete meses e que não usou verba pública, alegando que a produção foi financiada pela empresa independente Great American Road Trip Inc., que listou 17 patrocinadores.
Entre os nomes citados estão Boeing, Toyota, Shell e United Airlines — empresas que, segundo Oliver, estão sob a supervisão e regulação do Departamento de Transportes chefiado por Duffy. Oliver ressaltou o problema da aparência de conflito quando um secretário é patrocinado por companhias que ele regula.
Passado em reality e repercussão
Oliver também lembrou do histórico televisivo de Duffy: o ex-congressista participou de "The Real World: Boston", onde, segundo o apresentador, teve comportamentos e comentários que causaram controvérsia entre colegas de elenco.
Na esteira da crítica, os episódios do "The Great American Road Trip" tiveram baixa audiência no YouTube, a página do programa soma menos de 3 mil inscritos no momento da apuração e, segundo Oliver, nem a família Duffy nem o Departamento de Transportes deram ampla promoção ao conteúdo.
Oliver ainda citou investigações abertas do departamento envolvendo a Waymo, empresa presente na série, e usou esse ponto para reforçar que a aparência de conflito não vai sumir apenas porque o programa foi pouco promovido.
Depois de assistir às horas de conteúdo, Oliver concluiu que a produção "parece menos uma viagem pela América e mais uma viagem que todos nós levamos" — ou seja, um produto criticável tanto no formato quanto na ética envolvida.
Comentário da equipe JC Agora
O episódio mostra como a mistura entre espetáculo pessoal e cargo público pode explodir na cara do protagonista: além da estética discutível, o que mais pesa é a percepção de conflito quando empresas reguladas pelo próprio secretário aparecem como patrocinadoras. É um caso que reafirma como ética e imagem pública viram tema central quando políticos retornam ao entretenimento.
Fontes consultadas
- Variety
- Consequence
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