Ridley Scott estreia 'Ponto sem retorno' nos cinemas nesta quinta (27) e confirma que, aos 88 anos, ainda domina o visual e a condução de atores — mas o roteiro, preso a clichês do subgênero, impede que o longa alcance algo realmente novo.
O filme atrai atenção pelo cuidado técnico: fotografia, design de produção e a escolha de dividir a narrativa em dois ritmos diferentes são apontados como pontos fortes que seguram a experiência, mesmo quando a história se mostra previsível.
Dois tempos: contemplação que vira ação
Scott separa o longa em duas partes distintas. A primeira é mais lenta e contemplativa, focada no cotidiano do protagonista Hig e na relação dele com o cão Jasper, o que cria momentos poéticos mas também pode arrastar a atenção do público.
Quando a trama parte para o exterior, o diretor acelera o ritmo e enfatiza a ação, com referências que lembram faroeste. O contraste funciona como escolha de mise-en-scène — e revela o controle técnico de Scott sobre o material.
Roteiro afogado em déjà vu distópico
O roteiro, assinado por Mark L. Smith e baseado no livro de Peter Heller, falha ao reutilizar elementos já conhecidos de histórias pós-apocalípticas. Situações e arcos lembram obras citadas pela crítica, deixando perguntas em aberto e diminuindo a originalidade do filme.
Essa falta de novidade compromete parte do impacto do trabalho técnico e faz com que o filme funcione mais como exercício de estilo do que como uma proposta narrativa inédita.
Elenco sólido e um cão que conquista
O elenco reúne Jacob Elordi (Hig), Josh Brolin (Bangley), Margaret Qualley (Cima) e Guy Pearce (Pops), com participações pontuais como a de Allison Janney. Todos cumprem bem seus papéis, mesmo quando as funções dramáticas são limitadas.
O grande destaque, segundo a crítica, é o cão Raksha, que vive Jasper e traz as cenas mais poéticas do filme, criando empatia imediata e se tornando o elemento emocional mais marcante da obra.
'Ponto sem retorno' passa a sensação de filme assistível — e, em muitos momentos, bem dirigido —, mas fica aquém do que se esperaria de um cineasta com o histórico de Ridley Scott. Ainda assim, torna claro que o diretor segue ativo e produtivo.
O filme chega aos cinemas nesta quinta-feira (27) e promete dividir opiniões: técnica impecável e elenco afiado contra um roteiro que parece já ter sido visto antes.
Comentário da equipe JC Agora
O filme evidencia o talento técnico de Ridley Scott: fotografia, design e o corte em dois atos mantêm o interesse. Porém, a dependência de fórmulas consolidadas transforma o lançamento mais em um exercício de estilo do que em uma renovação do gênero.
Fontes consultadas
- G1 Pop & Arte
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