Robb Moss voltou ao rio onde filmou os amigos nos anos 1970 e transformou aquele material caseiro em uma trilogia que chega agora ao presente: The Bend in the River mostra os mesmos companheiros quase meio século depois, já na casa dos 70.
O contraste entre o Riverdogs de 1978 — filmado com uma 16mm Bolex e repleto de cenas despreocupadas, até com nudez — e as conversas atuais cria o tom do novo documentário, que estreia no Film Forum em Nova York antes de entrar em circuito limitado.
Do nu ao documentário cult: como nasceu a trilogia
Tudo começou com Riverdogs, um curtíssimo de 1978 que misturava home movie e retrato de amizade entre cinco ex-alunos da U.C. Berkeley: Danny, Cathy, Jeff, Barry e Jim. Moss — então no limiar entre a vida de "river guy" e a carreira de cineasta — levou a câmera para guardar aquela última viagem de rafting.
Vinte e cinco anos depois, ao revisitar o material e filmar reencontros entre 1996 e 2000, ele montou The Same River Twice (2003). O segundo filme passou por Sundance e ganhou público ampliado quando chegou ao Netflix, transformando aquela história íntima em um pequeno clássico do documentário.
Quem se reencontra e o que mudou
O novo capítulo retoma o grupo logo após a pandemia. As vidas tomaram rumos diferentes: Barry casou-se pela segunda vez ("de Deborah nº 1 para Deborah nº 2"), sobreviveu a um câncer e aposentou-se da direção de uma instituição de saúde mental; Cathy e Jeff se separaram, mas continuam ligados politicamente — ela auxilia a campanha dele para senador estadual no Oregon; Danny trocou a dança pela pilates; e Jim Tickenor, o antigo "river god", optou por uma vida quase totalmente fora da grade, empenhado em terminar uma casa no meio do nada.
Mais que um inventário de conquistas, Moss privilegia momentos íntimos: a montagem que cruza imagens do passado com cenas recentes cria uma sensação de memória viva — ou, como o próprio trabalho sintetiza, "We forget — but the camera remembers."
Bastidores e apoio de peso
Joel Coen e Frances McDormand assinam como produtores executivos do filme e elogiaram a forma como Moss constrói um retrato sem julgamento dos amigos — McDormand lembra ainda que Davia Nelson, parceira de Moss, estava na viagem original fora de quadro segurando o microfone boom.
O resultado, segundo críticos e colegas do circuito de festivais, funciona como um mosaico sobre amizade e envelhecimento: não é uma tentativa de fechar narrativas, mas de registrar o fluxo de vidas que continuam mudando.
Onde ver
The Bend in the River abre neste fim de semana no Film Forum, em Nova York, e em seguida segue para uma exibição limitada em salas selecionadas pelo país.
Visto junto com os filmes anteriores, o novo documentário completa uma trilogia que acompanha uma geração desde a euforia hippie até as complexidades de envelhecer em amizade — e reafirma, na obra de Moss, a ideia de que manter laços é também um modo de enfrentar o tempo.
Fonte consultada: Rolling Stone
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