Um meme que reinventa o Cat in the Hat em vídeos e imagens — muitos criados ou manipulados por IA — saiu das telas e virou motivo real de preocupação: contas passaram a nomear alunos e escolas nos Estados Unidos, o que levou a fechamentos, investigações e pelo menos uma prisão juvenil.
O material começou como humor sombrio em junho, mas foi se tornando cada vez mais local e ameaçador. Postagens que combinavam trechos do filme com trilhas sonoras assustadoras e imagens do traje do personagem evoluíram para montagens que pareciam gravações de câmeras reais em bairros.
Como o meme ganhou contornos locais e perigosos
O trend se originou com um vídeo que reaproveitava cena do Cat in the Hat de Mike Myers e virou base para versões cada vez mais perturbadoras. A exposição do traje original em um leilão deu material visual extra para a internet.
Em seguida vieram imagens geradas por IA que colocavam o personagem em entradas de casas, janelas e ruas; e contas que começaram a associar essas imagens a lugares e pessoas reais. Mensagens com frases como "you’re next", "don’t leave your window open" e "coming for you" acompanharam publicações que citavam escolas e estudantes.
Consequências práticas: escolas em alerta, polícia investigando e uma detenção
O alcance local do conteúdo fez escolas e autoridades tratarem cada postagem como potencial ameaça. Em Louisville, a Assumption High School mudou aulas para o formato online e cancelou atividades extracurriculares após surgirem posts que identificavam alunos e usavam linguagem ameaçadora.
Outros distritos em Kentucky também registraram relatos: Oldham County Schools emitiu alertas aos pais e escolas em Bullitt County investigaram denúncias feitas por estudantes. Em alguns casos, autoridades estaduais e locais aumentaram patrulhamento e fizeram varreduras em prédios escolares.
Além de investigações administrativas, houve ação policial: em Allen County um jovem foi preso por mensagens vinculadas à tendência, e departamentos como o Homeland Security Unit de Louisville revisam as postagens para avaliar credibilidade. Em Michigan, uma escola chegou a adotar bloqueio de perímetro como medida preventiva; em Oklahoma houve varredura e reforço policial; e o centro de avaliação de ameaças do Tennessee passou a monitorar publicações relacionadas.
Autoridades no Reino Unido e na Irlanda já haviam avisado que muitas das imagens eram falsas e geradas por IA, mas isso não impediu a evolução do meme para ameaças direcionadas quando ele chegou aos EUA.
Polícia e especialistas alertam que transformar a brincadeira em post com nome de estudantes ou tom de ameaça pode resultar em ação disciplinar, investigação e processos criminais — e pedem que usuários não recriem versões que apontoem indivíduos ou instituições.
Comentário da equipe JC Agora
A corrida por conteúdo viral mostra um risco claro: IA e montagem facilitam transformar piadas em ameaças locais. Quando posts nomeiam alunos ou escolas, a brincadeira vira caso de segurança e acaba mobilizando polícia, administração escolar e medidas que afetam toda a comunidade.
Fontes consultadas
- Mashable
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