Vinte anos depois da votação que tirou Plutão da lista dos nove planetas, o pequeno corpo gelado segue ocupando lugar de destaque na imaginação do público e no trabalho de cientistas.
Descoberto por Clyde Tombaugh em 1930 no Lowell Observatory, Plutão virou símbolo: tem cinco luas com nomes mitológicos, um famoso ‘coração’ gravado em sua superfície e uma legião de fãs em Flagstaff, cidade que celebra o objeto todos os anos.
Por que Plutão deixou de ser classificado como planeta
Em 24 de agosto de 2006, a União Astronômica Internacional (IAU) votou uma nova definição de planeta. Para ser considerado planeta, um corpo deveria: (a) orbitar o Sol; (b) ter massa suficiente para assumir forma quase esférica; e (c) ter “limpado” a vizinhança da sua órbita. Plutão falhou no terceiro critério, por dividir sua região com muitos objetos do Cinturão de Kuiper.
A mudança veio após a descoberta de Eris em 2005, que provocou debates sobre quantos objetos deveriam ser chamados de planeta. Uma proposta que teria elevado o total para 12 — incluindo Ceres, Charon e Eris — foi rejeitada; o resultado foi manter oito planetas e classificar Plutão como “planeta anão”.
Por que a paixão por Plutão só aumentou
A decisão provocou reação pública — manchetes falando em “rebaixamento”, camisetas "RIP Pluto" e protestos — e também debate entre cientistas. Alguns especialistas, especialmente os ligados à exploração planetária, nunca aceitaram totalmente a votação. Alan Stern, líder da missão New Horizons, chegou a chamar a medida de "a debacle".
Curiosamente, a própria série de eventos em torno da reclassificação impulsionou interesse: a sonda New Horizons, lançada em 19 de janeiro de 2006, passou por Plutão em julho de 2015 e revelou uma geologia inesperadamente ativa. A missão mostrou planícies glaciares como a Sputnik Planitia — sem crateras e do tamanho combinado de estados como Oklahoma e Texas — e a famosa região em forma de coração batizada de Tombaugh Regio.
Além das surpresas geológicas, Plutão tem cinco luas — Charon, Nix, Hydra, Kerberos e Styx — sendo Charon cerca da metade do tamanho de Plutão, a maior lua em relação ao seu planeta no sistema solar. Essas descobertas alimentaram filmes, livros, festivais e a curiosidade de crianças e adultos.
O que vem pela frente
Mesmo sem unanimidade na definição, o interesse por Plutão segue vivo: o Lowell Observatory já se prepara para o centenário da descoberta em 2030, e a IAU voltará a se reunir em 2027, quando a possibilidade de rever definições planetárias pode surgir novamente. Nos últimos anos, representantes da comunidade científica e figuras públicas afirmaram que o tema continua em discussão.
Seja chamado de planeta ou de planeta anão, Plutão segue sendo um motor de curiosidade científica e cultural, da descoberta por Tombaugh às imagens detalhadas que mudaram a visão sobre mundos pequenos e distantes.
Comentário da equipe JC Agora
A história de Plutão mostra como ciência e sentimento público podem seguir caminhos diferentes: a reclassificação provocou polêmica, mas também turbinou interesse e apoio à exploração espacial. As imagens da New Horizons transformaram o debate técnico em fascínio coletivo, mantendo Plutão no centro da cultura pop científica.
Fontes consultadas
- Smithsonian Magazine - Latest
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