Dois criadores de grande audiência no YouTube — Matti Haapoja e Sam “Kold” Kolder — publicaram vídeos mostrando o que a plataforma de IA Higgsfield faz com sua nova funcionalidade Seedance 2.5, e acabaram recebendo uma forte reação negativa de parte do público.
Os vídeos são apresentados como demonstrações das capacidades da ferramenta e foram vistos por muitos como peças com tom publicitário; prints de propostas de parceria enviadas por agências ligadas à Higgsfield também circularam entre outros criadores e fãs.
O conteúdo que gerou a queda de braço com a audiência
Haapoja fez um vídeo no estilo infomercial explicando como o longa Cully Hill Boys — que usa duplicatas geradas por IA de alguns YouTubers — foi produzido com prompts, e mostrou cenas em que ele próprio aparece transferido para cenários sci‑fi por Seedance 2.5. Kolder publicou um vídeo chamado “AI is replacing me” que mistura explicação sobre sua carreira com uma narrativa ficcional e imagens de IA.
Reações, críticas e falta de rotulagem
Parte da audiência criticou que os vídeos não estavam rotulados como anúncios; questionamentos e críticas vieram também de colegas criadores. Marques Brownlee destacou que, ao contrário de uma câmera física, a IA generativa "é treinada em material humano real sem qualquer crédito".
Enquanto os comentários do vídeo de Kolder ficaram mais divididos — com elogios e reprovações — Haapoja recebeu retaliação mais intensa nas redes. A repercussão aumentou depois que outros criadores compartilharam capturas de ofertas de parceria recebidas de PRs trabalhando para a Higgsfield.
Higgsfield confirmou pagamentos aos criadores
Inicialmente, Haapoja e Kolder não responderam às perguntas feitas pela reportagem que cobriu o caso. Depois, a Higgsfield, via sua gerente de PR Nuray Omarkhan, confirmou que os criadores foram compensados por meio de uma combinação negociada de pagamento monetário e créditos da própria Higgsfield.
O episódio também foi ligado a um padrão maior: quando influenciadores promovem ferramentas de IA, eles podem virar foco da insatisfação pública com a tecnologia — algo já notado em outras ações envolvendo grandes empresas de IA e criadores.
Para além da polêmica sobre pagamentos e rotulagem, a discussão central entre fãs e colegas é ética e transparência no uso de material humano para treinar e gerar conteúdo com IA.
Comentário da equipe JC Agora
A reação revela que a confiança entre criadores e público virou moeda sensível: parcerias com IA precisam ser transparentes para não desgaste de reputação. Quando o debate envolve uso de trabalho humano para treinar modelos, seguidores tendem a cobrar clareza e responsabilidade.
Fonte consultada: The Verge
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