Cinco documentários sobre nomes históricos da música brasileira — Aldir Blanc, Belchior, Elza Soares, Maria Alcina e Ney Matogrosso — têm estreia marcada para a 28ª edição do Festival do Rio, que acontece de 1º a 11 de outubro no Rio de Janeiro.
Dois desses filmes, "Alucinação" e "Elza", entram na mostra competitiva Première Brasil Documentário; outros três aparecem em mostras paralelas ou fora de competição, segundo a programação divulgada.
"Alucinação" revive o álbum de Belchior e "Elza" dá voz à própria artista
"Alucinação", dirigido por Renato Terra, Marcos Caetano e Leo Caetano, toma como eixo o álbum de Belchior lançado em 1976 e completa 50 anos nesta temporada. O filme propõe ampliar o significado das canções ao confrontá-las com imagens da época e traçar um retrato do Brasil repressor dos anos 1970.
Também na disputa, "Elza", de Eryk Rocha, perfila a trajetória de Elza Soares pela voz da própria cantora. O documentário foi produzido por Globo Filmes e GloboNews; Elza esteve em cena até 2022, ano de seu falecimento aos 91 anos.
Retratos: Aldir Blanc e Maria Alcina ganham filmes que resgatam histórias
Na Mostra Retratos da Première Brasil, estreia "Aldir Blanc – Resposta ao tempo", de Marcus Fernando e Hugo Sukman. Inicialmente intitulado "Aldir Blanc – Ourives do palavreado", o documentário procura desvendar o universo criativo do compositor carioca e foca a obra situada na geografia do subúrbio e da Zona Norte do Rio de Janeiro. Aldir Blanc faria 80 anos em 2 de setembro.
Também na mostra Retratos, a cineasta Elizabete Martins Campos assina "Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina", sobre a vida da cantora mineira que se revelou em festival de 1972 e sofreu ações da censura ao longo da década de 1970 por seu comportamento percebido como afrontoso ao regime da época.
Fora de competição, documentário sobre Ney mostra bastidores de homenagem
Fora da disputa, o Festival do Rio exibe "Ney por trás das máscaras", de Esmir Filho, coprodução da Globo Filmes. O diretor — apontado como responsável pelo blockbuster "Homem com H" (2025), cinebiografia sobre Ney Matogrosso — acompanha os bastidores do desfile da escola de samba Imperatriz Leopoldinense em homenagem ao cantor e busca mostrar o artista longe dos holofotes, por trás da fantasia da cena.
A programação confirma que o festival reservará espaço para filmes que revisitam tanto álbuns e trajetórias quanto os bastidores de homenagens recentes, reunindo obras em competição e mostras especiais entre 1º e 11 de outubro, no Rio de Janeiro.
Comentário da equipe JC Agora
A seleção do Festival do Rio mostra como a memória da música brasileira segue sendo reexaminada: há obras que revisitram álbuns icônicos, perfis que dão voz aos artistas e registros dos bastidores de homenagens. Juntas, as estreias prometem reforçar o interesse por documentários musicais que ligam passado, política cultural e espetáculo.
Fontes consultadas
- G1 Pop & Arte
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