Ed Sheeran vive a maior controvérsia de sua carreira depois que os promotores decidiram tirar Macklemore da turnê americana do cantor, após duas noites em que o rapper fez discursos e exibiu imagens pró-Palestina durante seus shows.
O gesto que detonou a crise
Macklemore abriu a turnê e, na primeira noite, disse "Palestina livre" e mostrou imagens da destruição na Faixa de Gaza. Na segunda, usou a palavra "genocídio" para se referir ao número de mortos — termo rejeitado por Israel — e passou a receber críticas públicas.
Proprietários de estádios, segundo a reportagem, e promotores pressionaram para a retirada do rapper; o dono do time New England Patriots, Robert Kraft, aparece entre os nomes ligados à pressão nos bastidores.
Reações em cadeia: artistas, rádios e doações
Após a saída de Macklemore, outros nomes anunciaram que deixariam a turnê em solidariedade: Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham, além da banda de apoio irlandesa Beoga, que colabora em faixas como "Galway Girl".
Também houve repercussões fora dos palcos: uma estação de rádio na Irlanda retirou músicas de Sheeran de sua programação, e Macklemore anunciou que doará US$ 1 milhão para ONGs pró-Palestina, segundo o pacote de notícias.
Personalidades reagiram de lados opostos — a cantora Pink criticou Macklemore e compartilhou um meme contra ele, enquanto outros no meio musical defenderam a liberdade de expressão.
O dilema da imagem "bom moço"
Sheeran, conhecido por sua postura pública simples e por evitar envolvimento direto em política — apesar de posicionamentos pontuais no passado — publicou uma declaração afirmando que os promotores tomaram a decisão e que ele tentou construir pontes sem sucesso.
Na nota, ele disse que "não fui conivente" e tentou justificar sua opção de manter-se distante de debates sobre o Oriente Médio porque seu público inclui crianças e jovens de diferentes origens.
Críticos, no entanto, acusaram o cantor de covardia. O jornalista Jeffrey Ingold afirmou que Sheeran "lavou as mãos" e que ele poderia ter usado seu poder para resistir aos promotores, enquanto Jem Aswad, da revista Variety, disse que a neutralidade é impossível nesse tema.
Aturnê entrou em crise horas depois da declaração de Sheeran. A próxima apresentação marcada para Filadélfia, citada na matéria, será testada pelo comportamento do público e pode revelar o impacto real nas bilheterias e na percepção dos fãs.
Para um artista que construiu parte de seu apelo na imagem de acolhimento e simplicidade — com ações públicas como doação de roupas a instituições de caridade e trabalho educativo com jovens — o episódio expõe o risco de que a tentativa de permanecer fora da política se torne interpretada como conivência.
Comentário da equipe JC Agora
O caso mostra como a imagem de "bom moço" pode se partir diante de decisões tomadas por promotores e pela indústria. Em um cenário polarizado, a tentativa de neutralidade virou crítica pública, e a saída de artistas evidenciou que a cultura pop também é campo de disputa simbólica.
Fontes consultadas
- G1 Pop & Arte
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