Dois senadores dos EUA enviaram uma carta ao TikTok em resposta a uma reportagem que afirma que a empresa realizou, em 2021, um experimento no qual reteve um recurso de segurança para milhões de usuários como parte de um "grupo de controle".
A repercussão aumentou porque a reportagem do Bloomberg disse que um adolescente, Chase Nasca, que morreu por suicídio, teria feito parte desse grupo de controle e que documentos internos apontavam que sua conta caiu em um padrão repetitivo de recomendações sobre suicídio e autolesão.
O teste de 2021 e o objetivo declarado
Segundo a reportagem, a mudança inicialmente anunciada visava reduzir "padrões repetitivos" no feed "For You" — evitar que usuários vissem muitos vídeos de uma mesma categoria que poderiam ser problemáticos se consumidos em sequência.
O que não foi divulgado na época, ainda de acordo com o Bloomberg, é que a empresa manteve o recurso fora do alcance de milhões para usar esse grupo como controle e medir o impacto no engajamento.
Documentos internos e um caso trágico
Relatos citados pelo veículo dizem que, nos documentos internos, houve registro de que a conta do adolescente foi recomendada repetidamente para conteúdos sobre suicídio, autolesão e temas depressivos nos dias que antecederam a morte.
O caso trouxe à tona perguntas sobre se a retenção do recurso de segurança pode ter agravado o problema para usuários vulneráveis.
Pedido formal dos senadores e prazo
Os senadores Marsha Blackburn e Richard Blumenthal enviaram uma carta dura aos executivos do TikTok exigindo detalhes sobre esse e outros experimentos, e perguntando se a empresa já optou por não liberar uma medida de segurança por impacto no engajamento ou na receita publicitária.
Na carta, os senadores afirmam: "These latest disclosures show that TikTok not only possessed information about the dangers created by its recommendation systems, but deliberately denied millions of users access to a safety intervention so that the company could study the intervention's impact on engagement."
O TikTok recebeu até 1º de setembro para responder às perguntas dos legisladores. A reportagem também ressalta o envolvimento dos senadores na defesa de medidas como o Kids Online Safety Act (KOSA).
Até a publicação desta matéria, o TikTok não havia respondido imediatamente ao pedido de comentário feito pela reportagem.
Comentário da equipe JC Agora
A combinação de uma reportagem e uma carta formal mostra como decisões de produto passaram a ser tratadas como questão pública: há preocupação crescente sobre prioridades entre segurança de jovens e métricas de engajamento, e o caso reforça a demanda por transparência nos algoritmos.
Fonte consultada: Engadget
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