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Tsunami de terra: colapso de geleira gerou enchente mortal no Nepal

Mais de 150 mortos e centenas de desaparecidos após uma onda de água, gelo, lama e rocha percorrer 170 km pelo vale do Bhote Koshi; análises iniciais apontam colapso de uma geleira.

Tsunami de terra: colapso de geleira gerou enchente mortal no Nepal
Foto: Moralist · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
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Uma onda gigante de água, gelo, lama e rocha varreu mais de 170 quilômetros pelo vale do Bhote Koshi, entre o Nepal e a fronteira com o Tibete, deixando mais de 150 mortos e centenas de desaparecidos — entre eles ao menos 34 australianos — e com pouco ou nenhum aviso prévio.

Como a enchente virou um "tsunami de terra"

Imagens e relatos iniciais mostram um muro de detritos que atingiu pontos como o posto fronteiriço de Gyirong com força devastadora. Especialistas dizem que o evento teve energia sísmica suficiente para aparecer como um tremor de magnitude 4,4 em sismógrafos, porque uma enorme massa deslizou morro abaixo juntando água, gelo, árvores e rocha.

Estimativas preliminares mencionam que a onda pode ter alcançado cerca de 30 metros de altura em alguns trechos, transformando o fluxo em algo comparável a um tsunami, mas feito de lama e fragmentos de geleira.

Por que cientistas apontam para um colapso glacial

Análises iniciais por satélite indicam que a queda pode ter sido provocada pelo desbarrancamento de partes de uma geleira — ou seja, a própria geleira teria sido esculpida e desintegrada pelo deslizamento, liberando grandes volumes de água e gelo.

Os especialistas lembram que os grandes estoques de gelo do Himalaia, chamados por alguns de "terceiro polo", estão em retração, e que o degelo, somado ao derretimento do permafrost em encostas íngremes, torna deslizamentos repentinos mais prováveis. Pequenas falhas, um tremor ou um colapso podem, então, desencadear fluxos de detritos de grande escala.

O que pode reduzir riscos em áreas montanhosas

Casos recentes no mundo mostram que sistemas de alerta e evacuação podem impedir mortes em colapsos de geleira: na Suíça, por exemplo, autoridades evacuaram antes de uma queda e ninguém morreu. Mas instalar e manter esses sistemas exige investimento — um desafio para países com menos recursos.

O debate após a tragédia destaca duas apostas concretas: investir em monitoramento — incluindo sensores para níveis de rios e sinais sísmicos — e ampliar a capacidade de alerta local. O Green Climate Fund anunciou no ano passado apoio para melhorar monitoramento no Nepal, um passo alinhado com essa necessidade, segundo especialistas.

Há um histórico de eventos semelhantes na região e em outros países: em 2024 houve um rompimento de lago glacial que provocou cheias no Nepal; no ano passado um fluxo de detritos em outro distrito matou nove pessoas; e episódios de deslizamento ligados a geleiras também já destruíram comunidades em outras partes do mundo.

Comentário da equipe JC Agora

A tragédia no Bhote Koshi mostra como o derretimento de geleiras e o degelo do permafrost podem transformar encostas em bombas de detritos. Além da resposta emergencial, o caso reforça a urgência de monitoramento e sistemas de alerta em regiões montanhosas vulneráveis — medidas que salvam vidas, mas exigem investimento e coordenação.

Fontes consultadas

  • Phys.org
  • BBC Science & Environment

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