O telescópio espacial Nancy Grace Roman deixou a Terra às 7h26 (EDT) de 30 de agosto a bordo de um foguete SpaceX Falcon Heavy, em um lançamento realizado no complexo LC-39A do Kennedy Space Center, na Flórida.
Projetado para mapear grandes áreas do céu, o Roman parte agora rumo ao ponto L2 e deve transformar a forma como estudamos matéria escura, energia escura e exoplanetas com imagens ultralargas e um coronógrafo inédito em operação espacial.
Como foi o lançamento e o que aconteceu com o Falcon Heavy
O Falcon Heavy brilhou na decolagem com 21 motores Merlin 1D. Cerca de 2,5 minutos depois, os dois propulsores laterais cortaram motores e iniciaram as manobras de retorno para pousos programados na costa da Flórida. O corte do motor principal e a separação do estágio central ocorreram por volta dos quatro minutos de voo, com a separação da carenagem logo em seguida.
O estágio central seguiu para a segunda fase, que colocou o telescópio em trajetória de liberação; Roman foi liberado para seguir sozinho aproximadamente 31 minutos após a decolagem.
O que torna o Roman diferente de Hubble e Webb
Ao contrário do Hubble e do James Webb, que são projetados para captar detalhes pontuais e muito profundos, o Roman foi construído para ver o “quadro grande”: sua Wide Field Instrument (WFI) fará imagens extremamente amplas do céu — capazes, segundo a equipe, de produzir imagens de bilhões e até um trilhão de pixels.
Roman também traz o primeiro coronógrafo ativo a ser usado no espaço, uma tecnologia que bloqueia a luz de estrelas para permitir o estudo direto de exoplanetas ao redor delas. O telescópio deve gerar mais de um terabyte de dados por dia em operações regulares; o maior levantamento pode preencher mais de meio milhão de TVs 4K, segundo a missão.
Jornada a L2, cronograma de comissionamento e curiosidades
O observatório seguirá para o ponto de Lagrange Sol-Terra L2, onde ficará estrategicamente posicionado no lado noturno da Terra. A viagem até L2 levará cerca de 90 dias.
Nos primeiros cerca de 40 dias após o lançamento, a equipe ligará e testará os instrumentos; a comissionamento científico deverá começar por volta do 45º dia, com conclusão prevista quando Roman chegar a L2. As primeiras imagens científicas são esperadas nos primeiros meses de 2027.
O projeto consumiu mais de uma década e cerca de US$4 bilhões em desenvolvimento, incluindo elementos reaproveitados de um satélite não utilizado. A agência também lançou um programa público chamado “Adopt a Pixel” para que o público possa “adotar” pixels do grande mapa do céu.
Durante as transmissões do lançamento, a cientista Julie Mcenery resumiu o potencial do projeto: "The scope is extraordinary," disse ela, ressaltando o alcance e a novidade do Roman.
O lançamento foi celebrado pela equipe da NASA e até ganhou uma mensagem gravada da cantora Jewel, que destacou o potencial artístico e científico dos dados que virão.
Agora em rota para L2, o Roman inicia uma nova etapa na observação de larga escala do universo, com expectativa de transformar levantamentos astronômicos nos próximos anos.
Comentário da equipe JC Agora
O lançamento do Roman marca a virada para observações de grande escala: em vez de olhar minuciosamente um alvo, ele mapeará enormes regiões do céu e abrirá caminho para pesquisas sobre matéria escura, exoplanetas e levantamentos que devem gerar enorme volume de dados e engajamento público.
Fontes consultadas
- Space.com
- NASA Science
- Mashable
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